20120224

Exórdio


s. m.
1. Primeira parte do discurso que lhe serve como um prefácio.
2. [Figurado] Princípio, origem.



Daqui a algumas horas parto para Lisboa. Há malas feitas e coisas empacotadas. Honestamente não sei como me sentir. Há em mim toda uma vontade de partir, de ir e conhecer. Há em mim uma igual vontade de ficar, enrolado em mantas num quente e confortável torpor.

Para quem não me conhece, sou pouco mais que um adolescente com idade, um garoto que cresceu mas só em tempo, peso e altura. Sou um estudante, dizem-me. Seja. Sou mais um estudante. E dentro de três horas parto para Lisboa. De onde não sou mas para onde vou morar. E estagiar, dizem-me. Seja. Serei mais um estagiário. E dentro de três dias começo o estágio numa cidade de onde não sou mas para onde vou morar.


E é isto a minha vida. Se gosto? Não sei. A ver vamos.

1 comentário:

  1. José Eduardo, fomos abençoados por Deus. A nossa amizade começou naquele momento em que cruzámos olhares de "isto é ridículo" durante a sagrada cerimónia que foi o teu crisma. E desde então partilhamos uma conexão absolutamente mística que só doentes mentais alienados (como a Santa que foi "perfurada" pela espada ardente de um anjo) conseguem entender. E, como tal, somos também almas gémeas.

    Eis que serve este espaço para confessar os pensamentos da minha última semana em Portugal: "eu não quero sair daqui! Aqui é bom e fácil e já conheço e é confortável! Eu quero que a Itália se foda! Pró caralho com as decisões de ir de erasmus! Que fiquem com o dinheiro e os papéis todos! Eu vou é ficar!".

    Isto pode também explicar porque é que às 3 da manhã do dia em que parti ainda estava a fazer as malas. Negação até à última.

    Mas entrei em piloto automático e deixei-me levar inconscientemente para o incerto. E ainda bem, porque valeu a pena.
    Para mim, mais do que conhecer uma cidade nova, linda e fascinante, permitiu-me finalmente dar um grande passo em direcção ao fim do curso. Zé, eu fiz Química!

    E tu vais para Lisboa. Não tens de passar 6 meses longe de quem é querido. Vi os meus pais, pela última vez, em Novembro. Vi o meu irmão e avó, pela última vez, em Setembro.
    É difícil, sentes saudades. Mas estás perto e tens sempre alguém. Tens aí as tuas meninas e algumas personagens novas na tua vida que vão marcar essa aventura. Mas tens também os de sempre, que se metem num comboio e te vão visitar, em parte motivados por saudades tuas e em parte motivados pela ideia de abancar no teu sofá e ter um guia grátis da cidade.

    E depois, estás a um passo de ter o curso feito e começar nova etapa.

    Comparo isto a fazer bungee-jumping: sempre quis fazer bungee-jumping (e viajar muito) mas é pouco provável que haja a possibilidade. Mas quando um dia houver, vou estar toda enrodilhada em fitas e cordas de segurança e a pensar "isto é de loucos, eu não vou fazer isto". E nessa altura fecho os olhos, o inconsciente manda e eu atiro-me de uma ponte. E no fim, cheia de adrenalina, vou perceber que valeu a pena, pelo menos para saber como é e o que se sente. E um dia posso dizer "uma vez fiz bungee-jumping e foi wwwoooooooww!".

    Isto faz sentido? Na minha cabeça é claro como a água mas quando verbalizo as minhas ideias sai uma grande mistura de coisas não relacionadas.

    Moral da história: vai ser awesome, estás perto, acessível e acompanhado. E ainda por cima vais estar no estágio que querias! Tens tudo para que corra bem e seja um período de tempo agradável. :) *beijinho*

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